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sexta-feira, 30 de março de 2012

Solidão

Se é não saber o que fazer, para onde ir. Sei agora o que é a solidão.
Espero por ti, pelo momento em que o tempo passa mais rapidamente.
Aquele momento em que não ouço o tique-taque do relógio.
Depois volta a angústia cortante.
Até quando?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Por onde podia ter saído... sempre

Era pela porta grande que poderia ter saído sempre.
Ao primeiro sinal nem deveria ter olhado para trás.

domingo, 18 de março de 2012

Início

A intenção foi-te anunciada entre lágrimas doridas. Concordaste comigo e horas depois havia uma solução. Uma solução que não nos completa todos os desígnios, mas espero que seja o início de um período - ainda que curto - de mais paz.

Ainda ninguém mais sabe. Vão sabê-lo da forma que o meu coração mandar. Se for entre lágrimas, que seja, mas serão as últimas derramadas pelo mesmo motivo.

Não consigo prever o que aí vem. Mas desconfio que longe de sítios que me fazem mal, que me perturbam a alma, o corpo, tudo só pode correr melhor.

Que Universo conspire a favor dos nossos desejos.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Da raiva

Eu não sei o querias de mim. Não sei o que ficou por fazer, por te dizer. Não sei o que fiz mal, o que disse mal. Se apenas por existir e não devia. Sei que não gostas de mim, que não me suportas. Isso nota-se no teu olhar, no rancor colado a cada uma das sílabas que proferes na minha direcção.

Eu poderia esforçar-me para te apaziguar, para me vergar uma vez mais à tua fúria. Desta vez não o faço. Vou deixar-te amargurar.

Se soubesses o quanto te odeio, te tenho raiva... Anseio pelo dia em que te possa dizer Adeus. Em que te possa demitir da minha vida porque nunca demonstraste que me amavas. E isso devia ser proibido. Nem te dás ao trabalho de me perguntar como corre a vida. Porque achas que sabes tudo, não é? Não sabes é nada. A pobreza de espírito também se vê aqui.

Vais acabar sozinha. Uns quantos já te abandonaram, outros tantos o farão, não tenhas dúvidas. Os sinais dos outros estão à vista. E as pessoas sabem distinguir quem é do bem. E todos querem estar junto do Bem.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Da inevitabilidade da morte

Dizes que lido bem com ela. Com aquilo que ela mais custa às pessoas habitualmente. Eu sei que tenho uma forma peculiar de tratar o assunto internamente, é um mecanismo de auto-defesa, nada mais. Sofro tanto ou mais que as outras pessoas.

Espero que estas próximas horas voem para ficar comigo a sós. Não haverá adeus, porque vou continuar a falar com ela, da mesma forma que tenho falado nos últimos tempos. A única diferença é que não a verei mais e ela não sofrerá mais. Espero que esteja bem melhor agora, em paz, junto de quem ela gosta.

Vai levar com ela os porquês que sempre impulsionaram muito da sua forma de viver. Vamos falando.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Poderia ter sido escrito por ti

O nosso mundo


"Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos

Como um divino vinho de Falerno!

Poisando em ti o meu amor eterno

Como poisam as folhas sobre os lagos...

(...)


A Vida, meu Amor, quero vivê-la!

Na mesma taça erguida em tuas mãos,

Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...

Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...

O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...".

F.E.
Livro de Soror Saudade

terça-feira, 3 de maio de 2011

Início de travessia no deserto


Inicio hoje uma nova travessia no deserto. Não sei o que reserva o futuro, sei que me reservo a ele, deixando para trás o passado. No presente, estás tu, sempre tu, mas sinto que vou caminhar sozinha na maior parte do tempo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um dia, vou ser feliz, ontem não foi o dia

Aquelas lágrimas que escorreram pelo meu rosto doeram. O sal arde quando passa por cima de cicatrizes, sabias? Elas aparentemente estão fechadas, mas quando expostas à corrosão das lágrimas ardem, muito. Lembrei-me no momento das palavras do meu pai quando dizia, há uns anos, que quando temos cicatrizes, temos ali um relógio para a vida. Queria ele dizer que, depois da ferida, fica apenas a marca, e damos conta da sua existência quando algo nos toca lá. Eu diria mais: as cicatrizes são um relógio de vida. As cicatrizes  contam histórias de vida e actuam como um receptor dos ácidos da vida, especialmente as cicatrizes da alma. E doem porque absorvem parte desses ácidos e dá-se uma espécie de corrosão, abrem um pouco.

Foi isso que senti, senti cicatrizes corroídas, a latejarem, como se tivessem sido abertas à faca fria de gume fino. Doeu tanto, que nem conseguia falar, queixar-me ou suplicar por ajuda ou mesmo respirar. Só conseguia chorar sufocadamente à socapa para ninguém ver nos momentos de solidão. Choro sempre sozinha, sou sempre eu quem limpa as minhas lágrimas. Sempre. E nem tu ouviste a minha voz húmida, dorida e a sangrar. A voz consegue camuflar estados de alma, aprendi isso ao longo da vida. A dor estava lá escondida. Fui muito infeliz naquele momento.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Às vezes penso que o coração das pessoas é como um poço sem fundo. Ninguém sabe o que se encontra no seu interior. Não temos outro remédio senão dar largas à nossa imaginação a partir do que aparece, volta e meia, à tona."
[A rapariga que inventou um sonho, Haruki Murakami]

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Caminho

Esbater traços do ser
dar transparência à vida
dar ao outro
o melhor
é tudo.

Saber o caminho
intuir atalhos
firmeza nos passos
e matar o tempo,
assassino de vida.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Esgueirar-me?

"Sinto-te a esgueirar-te tantas vezes". A frase escrita a seco não me sai da cabeça, ecoa a toda a hora na minha cabeça como se de um relógio se tratasse.

Não deixa de ser verdade. Talvez não com o sentido que lhe quiseste dar. Porque não concebes que o isolamento possa estar relacionado com a minha natureza. Dizes que tem de haver sempre partilha, mas eu não posso estar sempre a dar o meu tempo aos outros, preciso de tempo para mim. Tão frágil que me sinto, tão cansada de ser o suporte dos outros.

Depois ainda me dizes que assim se vê que o teu amor é mais maduro... Até pode ser verdade, mas há tanta confusão nessa cabeça. Nada tem a ver com nada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Vestida de silêncio

É assim que tenho andado. Tentando sobreviver.


Reparas que ando mais silenciosa, menos alegre, espontânea. E ando mesmo. A vida não me corre bem. Ignorada, humilhada, espezinhada também.


Ver-te quando a saúde não me deixa estar a 100% a disfrutar de boa companhia é penoso. A gargalhada fácil e descontraída dá lugar a um sorriso amarelo.


Nunca soube lidar bem com a incerteza e ver os dias passar sem que nada melhore é como se estivesse numa sessão de tortura onde a razão diz constantemente ao cérebro "aguenta, aguenta".

Educação para a excelência ... da crise

Há dias em que me sinto amarrada, como se alguém me tivesse atado de mãos e pés a uma cadeira. O pior de tudo é que o cérebro fica a funcionar. As ideias nascem em turbilhão, que se misturam com as emoções, as conjecturas, os factos.

Nasci numa época em que o mundo se estava a começar a globalizar. Cheguei à fase adulta com um background que me permitiria dar ao meu país um contributo para que fosse uma Nação desenvolvida. Munida de ferramentas, ideias, saber, alguma insegurança também (mas quem não a tem na juventude?) e prontinha a dar o meu melhor à sociedade.

Escolhi uma profissão que não tem dignidade. Como não gosto de ser injusta, corrijo: só é digna para alguns, esses que confundem narcisismo com dignidade. Os poucos, arrisco a dizer, que fazem bem esta distinção andam por aí, moribundos, a dar ínfimos contributos à sua Nação, com o fruto do seu "pequenino" trabalho. Faço parte deste leque de pessoas. Das que, associado a isto, não vêem os seus direitos básicos preenchidos. A Nação e a Sociedade não me souberam receber.

Educada sob os melhores princípios, não me revejo neste mundo, nesta selva, onde o que conta é apenas o nome. E por isso há dias, cada vez mais, em que me apetece pegar na mala e sair daqui, deste cantinho mediocre, de gente hipócrita, mentirosa regida pela velocidade dos números.

A crise é a desculpa para muita atrocidade cometida por aí. E eu não acredito nessas desculpas.

domingo, 21 de junho de 2009

Apertadinha


Ontem lembrei-me do tempo em que o meu esqueleto tinha caruncho, o meu cérebro funcionava em piloto-automático e as ideias surgiam só com requerimento enviado com 15 dias de antecedência. Como se a recordação disto tudo já não fosse suficiente para me deixar mal disposta, tive um final de noite a roçar os velhos tempos. Ah, pois é, que isto quando começa... Intolerância, aperto no peito, vontade de fazer birra e um mal-estar interior atroz. Causaste-me tudo isto. Pela primeira vez, senti que tinha de me conter e não dizer tudo o que me ía na cabeça. Porque há coisas que parecem ilógicas, outras difíceis de dizer. Tão íntimas, tão íntimas que trazê-las para o mundo exterior é quase impossível. Quase tabu.


Fui para casa, repensar o assunto, as horas foram passando, rebolando na cama em busca de, pelo menos, um momento de paz... que não chegou. A insónia, os sonos curtos preenchidos com sonhos inquietantes, o calor insuportável que se fazia sentir deixaram-me ainda mais de mal comigo.


Tentaste aproximar-te, conversar, mas o meu "sentido de oportunidade" fala sempre mais alto nestas alturas e a conversa que poderia ser agradável, torna-se cada vez mais pesada. A angústia pesa ainda mais no peito que não gosta de preocupações, de problemas, de sagas. De sagas - outras - que teimam também em perseguir-me.


Preciso de paz.